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Esta época do ano chega sempre com o dobro das luzes nas ruas, o triplo das listas — do que comprar, preparar, organizar — e o quádruplo dos jantares, como se não tivéssemos estado juntos o resto do ano. Tudo se multiplica: os compromissos, as expectativas, os horários, os “tem de ser”. E, quase sem darmos conta, também se multiplica a pressa.
Chega igualmente com uma corrente silenciosa de aceleração, aquela que todos os anos prometemos abrandar… e que, quase sempre, acaba por nos levar de arrasto. É uma espécie de acordo tácito: sabemos que vamos correr mais, dormir menos, exigir mais de nós — e aceitamos. Talvez porque nos disseram, um dia, que é assim que se vive esta altura. Talvez porque confundimos movimento com significado. Carregamos um “saco invisível” às costas, muitas vezes mais pesado do que o do Pai Natal. A diferença é que não temos trenó nem renas. Levamos dentro dele tarefas por cumprir, emoções por resolver, expectativas alheias e as nossas próprias — essas que, tantas vezes, são as mais pesadas. Vamos avançando com esse saco até que, por vezes, o cansaço se torna maior do que o prazer de viver este momento que um dia nos disseram ser mágico. E, ainda assim, ele continua a ser mágico. Sobretudo quando escolhemos vivê-lo de forma mais consciente, menos automática e mais alinhada com aquilo que realmente importa. Quando percebemos que a magia não está na quantidade, mas na qualidade; não está no excesso, mas na presença. A boa notícia é que podemos fazer diferente. Já este ano. Podemos tratar do que há para tratar antes, e não em cima do momento. Podemos simplificar, escolher menos, dizer “não” ao que não é essencial. Podemos escrever num cartão algumas palavras verdadeiras sobre a pessoa que o vai receber — e hoje isso tem quase o poder de uma varinha de condão. Num mundo de mensagens rápidas e emojis repetidos, a intenção escrita à mão ainda tem peso, tempo e coração. Podemos, ainda este ano, escolher um ritmo mais humano. Um ritmo que respeite o corpo, as emoções e os limites. O nosso cérebro é extraordinariamente obediente quando lhe damos direção, e as “ferramentas” certas — os nossos recursos emocionais internos — permitem-nos desenvolver agilidade emocional para acolher este presente antecipado: o de abrandar. Abrandar não é desistir, é escutar. Não é parar, é ajustar. Se conseguirmos fazer isso (eu vou tentar), o dia 26 vai ser diferente. Provavelmente o corpo vai agradecer, com menos tensão e mais descanso. O coração vai fazer uma vénia, reconhecendo que foi cuidado. E percebemos que, para o ano, há um “OFF!” que nos otimiza, nos regula e nos devolve ao essencial — não só nesta época, mas ao longo de todo o ano. Na OFF!CINA acreditamos que motivação não é fazer mais, é fazer com mais presença, intenção e sentido. É escolher onde colocamos a nossa energia e com quem queremos estar — por dentro e por fora. Boas festas… de preferência num abraço. Daqueles que não têm pressa, que surpreendem e ficam.
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